Antigo amor novo

Na adolescência as cartas representavam o que sentiam um pelo outro. Olhares tímidos, mãos suadas, sorrisos marotos e um amigo em comum, que servia como um pombo-correio do amor. Lindos poemas, versos intensos e rimas apaixonadas eram escritos em qualquer pedaço de papel; o que importava mesmo era o amor que sentiam um pelo outro.

Apesar de não ser concretizado, o amor existiu. A vida os levou para caminhos diferentes, para outros braços. Mas a lembrança sempre ocorria através de sorrisos ao nada. As tardes chuvosas eram o melhor cenário para lembrar-se dos suspiros que davam um pelo outro. Era a saudade de um amor que não acontecera por completo. Era o enorme meio de uma história sem fim, que durava mais de quarenta anos.

Vieram os filhos, as separações, outros filhos, outras separações e algumas tentativas. Foram felizes. Separados, mas foram. Nunca, nenhum sorriso deixou de ser dado por causa da distância. Havia de certa forma, vontade e certeza de que um dia iriam se reencontrar. Era a esperança que os alimentava, a força de um sentimento puro e sincero.

Apesar do acalanto que recebiam de outros, o desejo nunca adormeceu. Seus rostos, mãos, fragrâncias e cabelos estavam diferentes. Os olhares eram os mesmos. O amigo em comum promoveu o reencontro. A ansiedade era a mesma da adolescência. Sorriram, beijaram-se e permitiram serem amados por quem sempre quiseram. Após semanas de amor foram chamados para vida real. Agora o coração flutua ao som das músicas que embalavam suas noites. Ficou a indecisão se viverão ou não, seu antigo amor novo.