Inclusão social ainda é um sonho

Depois de produzir e dirigir um documentário sobre as pessoas com deficiência auditivos em 2005 (Gritos em um Mundo Silencioso) e agora em 2007 iniciar um novo projeto, desta vez sobre a Síndrome de Down (Eu, Down), me vejo cada dia mais envolvido em uma causa na qual, por mais que seja falado, é pouco praticado: a inclusão social.


Este assunto ainda é um sonho muito distante para aqueles que, excluídos do meio social, anseiam em ter seus direitos conquistados. Não é reivindicado nada mais do que o cumprimento da lei, daquilo que ela mesmo garante para o cidadão deficiente físico. Parece utopia esperar que a lei seja cumprida em um país que não assiste nem quem é considerado normal pela sociedade. Mas a falta de vontade parece ser bem maior do que a falta de condições.


Segundo o Censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 14,5% da população brasileira têm algum tipo de deficiência física. Em recente reportagem que realizei com alguns portadores de necessidades especiais, pude perceber como o preconceito impede o deficiente de ingressar no mercado de trabalho. Alguns deles, ainda que qualificado para o mercado de trabalho, não conseguem emprego. As empresas falam da responsabilidade social que praticam, mas a realidade é outra... Copiam a política assistencialista que os políticos fazem.


Ajudam somente no superficial, esquecendo-se da base de tudo: a educação.
Segundo um estudo feito pelo Ministério Público Federal, apenas 15% dos deficientes tem acesso à educação. Diante desse quadro, a lei de Cotas, que determina de 2 a 5% de vagas para os deficientes nas empresas, acaba perdendo o sentido. Se não preparam o deficiente físico, como querem obrigar as empresas a empregá-los? Os deficientes não querem ser atendidos de maneira filantrópica, como coitados. Nem querem ser alocados dentro de uma sala de aula, como objetos. É isso que o MEC chama de “inclusão social”... Não incentivam e nem dão condições aos professores a se prepararem para lidar com o diferente.


Falar mais sobre o assunto é preciso. Entretanto, é necessário que sejam tomadas algumas atitudes como: investimento na educação especial, mudança na arquitetura das cidades, rigor no cumprimento das leis e atenção para uma parte da sociedade que se encontra esquecida não só pelas autoridades, como também por aqueles que ainda não perceberam que não há nada mais normal do que ser diferente!