A tevê que não queremos

Tem sido bastante discutido a questão da Tevê Pública. Já nem se fala mais na digital. O foco do governo e da mídia em geral está voltado para o sonho do presidente Lula. Sonho esse que qualquer profissional de comunicação ou um bom entendedor de política gostaria de realizar: ter um canal de televisão. São muitos os benefícios que ela traz... Ainda mais quando se fala em nome do povo, já que este abraça qualquer projeto que é dito ser para ele e feito por ele (o povo).

Seria realmente bom para o país ter uma tevê que mostrasse o Brasil para o Brasil. Com uma programação de qualidade, programas educativos, bons profissionais e um telespectador mais atento, que a própria tevê iria formar. A TVE, por exemplo, consegue ser uma tevê pública que funciona. E é por isso que se torna impossível entender o motivo que leva o governo a querer lançar mais uma tevê pública. Talvez, repassando os custos que o governo tem com propagandas para a tal da tevê pública, os gastos seriam menores... Estamos diante de algo supérfluo, um luxo que estará estampado diante do lixo que é a maioria dos lares brasileiros, repletos de desemprego e miséria.

Em um país onde a saúde e a educação estão funcionando de maneira totalmente precária, é muita irresponsabilidade investir milhões em uma tevê que irá atender, principalmente, os interesses do governo. A quem diga que o canal será chamado de TV Fome Zero. Se a desculpa é a qualidade da programação, o governo deveria fiscalizar e reavaliar as concessões dadas para os canais de televisão. Que utopia... Como esperar alguma coisa de quem está comprometido com a maior parte dessa corja que comanda a comunicação no Brasil? A autoridade do estado parece estar abaixo das decisões dos poderosos que usam a televisão para manipular quem quiser, inclusive o próprio governo.

Na realidade, a tevê pública tem um grande desafio: competir com os canais que fazem qualquer coisa para garantir audiência. E se o governo disser que não quer quantidade e sim qualidade, pode esquecer este sonho. Pois não há motivos para investir dinheiro em algo que irá alcançar uma parcela mínima da sociedade. Iria adiantar ter um canal com uma boa programação só para dizer que tal existe? A questão deve ser discutida sem partidarismo e com responsabilidade. Alguém pediu a opinião do povo, através de um referendo, sobre o assunto? Foi isso que o Lula prometeu há alguns anos, quando disse que todas as suas decisões seriam tomadas juntamente com o povo... Coitado de quem acreditou, coitada da tevê pública, coitado do presidente, que fala em nome de um povo que a cada dia acredita menos nele.