A alegria do Pan e a tristeza da Tam

Os jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro, que agora conta com uma das sete novas maravilhas do mundo contemporâneo, começaram. A abertura do evento foi uma das mais bonitas já vistas, tendo apenas um acontecimento desagradável: o presidente Luis Inácio Lula da Silva foi vaiado pelos espectadores, que - ignorantes como o petista - deram um exemplo de falta de educação. Mas esse episódio não foi nada perto do que ocorreu com o avião da Tam, que ao colidir com um prédio da própria empresa, matou mais de 200 pessoas em São Paulo.

Um festa linda, onde o patriotismo é revelado entre os brasileiros, foi abalada com um acontecimento tão triste como esse. Sonhos interrompidos, vidas desperdiçadas e famílias desesperadas. Uma tragédia parecida com a que ocorreu há quase dez meses com o avião da Gol, que ao colidir com um Legacy, pilotado por americanos, acabou caindo e matando 155 passageiros. E além da tristeza, fica a certeza de que não é o último acidente deste tipo. E o problema não está exclusivamente em Congonhas, onde o aeroporto está espremido entre prédios enormes, o céu brasileiro é um perigo constante.

No Rio, a alegria de ver os atletas se superando e conquistando o pódio. Torcemos ansiosos por cada competição e acompanhamos o quadro de medalhas com euforia, uns oram, outros fazem promessas, gritam, choram e comemoram. Mesmo com toda essa felicidade, a maneira como externamos estes sentimentos mudou. Um sorriso mais tímido, um aplauso mais difícil. Ficou a dor pela tragédia. Entendo que para o presidente também deve ser difícil, afinal, ele também é um ser humano. Mas Lula só apareceu na tevê três dias depois, quando algumas das vítimas, as já identificadas, foram enterradas.

Nem na tristeza, nem na alegria. O casamento do povo brasileiro com o presidente passa por uma crise. O problema pode ser resolvido com mais atitude, seriedade e transparência. Um governo lotado de ministros, mas que engavetou a reforma ministerial. Quem seguiu o conselho de Marta Suplicy para relaxar e gozar em relação ao problema da crise aérea brasileira, agora lamenta a tragédia. Não há gozo e nem alegria. Graças a Deus pelo Pan! Assim o povo brasileiro se alegra um pouco e ganha um motivo de ter orgulho dessa nação.

A imprensa internacional questionou: “E agora, quem é o culpado?”. Os brasileiros sabem a resposta: nós mesmos. Que nos calamos diante aos problemas e nos enrolamos em bandeiras para lotar um estádio, mas que não exercemos a real cidadania. Abandonamos nossos direitos, não cumprimos com nossos deveres. A comoção que toma o país vai se esvaziando... Se não tem a “retrospectiva” no final do ano, ninguém comenta. O Pan entra para a história, os recordes são lembrados, os atletas ganham prestígio e o povo fica feliz por essa conquista. A Tam continua voando, pessoas morrendo e nada é feito pelo festivo país chamado Brasil-sil-sil-sil.