Moscas e Borboletas

Moscas vivem no lixo, sobrevoam alimentos e dejetos. Borboletas alimentam-se do néctar das flores, gostam do colorido e vivem em jardins. Moscas se satisfazem com o resto, perseguem o mau cheiro e convivem com ratos e baratas. Borboletas adoram o cheiro suave do campo, recebem a luz do sol e ganham a simpatia das crianças nos parques. Ambas vivem pouco, o suficiente para exercerem suas funções na natureza.

Borboletas nascem lagarta. Passam por uma metamorfose, ganham asas, antenas e beleza. Antes de voar, arrastam-se. As moscas já nascem próximas ao podre, não conseguiriam sobreviver em um ambiente totalmente limpo. Para evoluírem as borboletas precisam esperar, ficam presas a um casulo até que estejam prontas para sair. O desenvolvimento das moscas é mínimo, aumentam apenas em seu tamanho. Apesar de serem insetos, borboletas e moscas não se relacionam.

Os cultivadores odeiam as borboletas, considerando-as pragas. Dificilmente há alguém que ame as moscas. No máximo as crianças mais curiosas, que brincam de capturá-las. Borboletas vivem estampadas em pinacotecas e são admiradas por colecionadores, servem como adorno. Moscas causam nojo, transmitem doenças. Borboletas ajudam a espalhar o pólen. Moscas desfazem-se de cadáveres. Cada uma tem a sua importância, e agem conforme é esperado, não fazem nada além do que devem fazer.

A vida da mosca não tem cor, brilho e nem glamour. São reconhecidas somente por aquilo de ruim que representam. Nas prateleiras dos supermercados, várias marcas de inseticida prometem seu extermínio. Já as borboletas são protegidas, agem com delicadeza, transmitem beleza e charme ao voarem. Moscas e borboletas são pequenas, mas cumprem aquilo que seu instinto manda. São diferentes dos homens, que têm capacidade de realizar grandes coisas, mas que se limitam a viver como moscas e borboletas, seja vivendo no lixo ou simplesmente vagando em jardins floridos, com medo de encarar a realidade, vencer desafios e viver a vida sem medo de errar e ser feliz.