O jovem estava sentado em uma pedra, embaixo de um pé de jambo esperando o tempo passar. Catava as flores rosadas que caíam da árvore e colocava na boca, sentindo o gosto azedo da futura fruta. Ao olhar para a esquina viu que chegava à cidade um circo. Havia uma carreta e alguns carros. Movido pela curiosidade levantou-se para ver o que havia de diferente. Até então não havia nada de muito interessante, mas o colorido do cortejo chamou sua atenção.Seguindo o som das buzinas correu por uma rua paralela a outra. Com uma vara a mão passava pelos jardins fazendo voar pétalas. Chegou ao outro quarteirão e ficou espiando os integrantes do circo desembarcando em um enorme terreno. De longe, observou uma jaula e um triste olhar. Aconteceu o amor. Não houve sorriso, apenas compreensão. Foram alguns instantes até que uma enorme lona fora jogada sobre a jaula. O jovem desesperou-se com a misteriosa canção que ecoava dentro de si.
Foi para casa sem esquecer-se daquele olhar. Nada o fazia esquecer. Decidiu então voltar ao circo, todavia, não permitiram sua entrada antes do primeiro espetáculo. Rodeou o terreno com os olhos atentos à jaula coberta. Decidiu esperar. Ali ele ficou sentado à espera de algum sinal. Sentindo o frio que da brisa que chegava, foi para casa ainda com a esperança de rever quem o conquistara apenas com um olhar, de uma maneira mágica.
Tomou banho, perfumou-se e pegou um agasalho. Voltou ao circo, comprou uma pipoca e sentou-se. Ela apareceu: linda, esbravejando e encarando os espectadores. Cruzaram olhares. Ela questionava-se, não queria sentir algo por alguém que lhe parecia impossível. Acabou o espetáculo e o jovem fingiu ir ao banheiro. Foi ao encontro da leoa "Serena". Cheiraram-se. Houve um beijo e um convite. Então, fugiram para as matas e tornaram-se uma lenda. Foram aqueles que, acreditando no impossível, libertaram-se através do amor.