Deixados pra trás

Nessa minha caminhada pela vida, como todo ser humano, passei por momentos bons e ruins. E para que todas essas fases ficassem marcadas, algumas pessoas foram essenciais. Algumas se tornaram inesquecíveis pelas coisas legais que compartilhei. Outras, pelos desentendimentos, que, de uma forma ou de outra, ensinaram-me alguma coisa. Mas, apesar de todo o carinho que sinto por eles, a vida fez com que nos afastássemos.

Lembro-me que com meus oito, dez anos, tinha os amigos da rua e os do colégio. Na rua, eu não era o mais forte, nem o mais engraçado e muito menos o mais inteligente. Apesar disso, foi lá que aprendi a ser malandro, a cair e não chorar e a ouvir o apelido e caçoar de mim mesmo. Já no colégio, eu era o líder - tanto na bagunça, quanto nos momentos mais sérios. Com eles, aprendi a trocar favores, estabelecer parcerias e o melhor: conquistar as meninas.

Na adolescência, colecionei amizades pela igreja, nos três colégios onde estudei e na rua. Os da igreja me deram o ombro, além dos momentos hilários, é claro. Na escola que cursei da quinta a oitava série, muitas brigas, piadas, atrapalhadas, descobertas e condecorações. No colégio onde fiz o primeiro ano do ensino médio, ficaram as maiores lembranças. Lá foi o lugar dos papos- cabeça, dos sorrisos sinceros, abraços fraternos... Já no que eu terminei o ensino médio, a adaptação foi mais difícil. Entretanto, de lá saíram a oportunidade do primeiro emprego e também a maturidade para a universidade. Por lá aprendi a ser político e a aceitar um pouco mais as diferenças.

Agora, na juventude, minha vida parece mudar a cada dia. Depois de quatro anos no mercado de trabalho, tudo ainda parece incerto. E, por cada lugar que passo, deixo mais pessoas para trás. Não no sentido de esquecimento, mas da distância, do contato. E com isso só aumento minha coleção de momentos inesquecíveis. Às vezes dói, às vezes alivia. Na verdade, cada pessoa que passou em minha vida deixou algo de valor. Por isso que os considero presentes, pois fazem parte da minha vida – ainda que implícitos no “eu” de hoje, e no de amanhã.