Uma homenagem aos 28 anos da morte do jornalista, falecido no dia 2 de setembro de 1980.Aos 14 anos, pulando o muro que separava a minha casa de uma rádio comunitária, escolhi – mesmo sem saber – a minha profissão. Aquele foi o "pulo do gato" da minha história. Tudo seria bem diferente caso, naquele dia, eu não me deixasse levar pela imensa curiosidade de saber o que acontecia nos bastidores de um lugar aparentemente divertido, que, até então, eu só conhecia pelo rádio. Oito anos depois, aqui estou eu: na reta final do curso de jornalismo e sentindo as mesmas sensações de quando eu era garoto.
Nas últimas férias de julho, um amigo me emprestou um livro. Tratava-se da autobiografia do jornalista Samuel Wainer, intitulada de "Minha razão de viver". Eu nunca havia ouvido falar nesse nome, mas, pela insistência do meu amigo, resolvi me dedicar à leitura. Nas três primeiras páginas eu já tive a impressão de que aquele não seria só mais um livro da minha lista de lidos. E eu estava certo. As palavras de Wainer me tocavam a todo o instante, deixando um profundo eco dentro de mim.
Durante aquela semana, eu mergulhei de cabeça na saga do dono do jornal Última Hora. Até o momento, nem Chateaubriand nem Roberto Marinho tinham me chamado tanta atenção com suas histórias. Algo naquele jornalista judeu me fascinava. A sua disposição em lutar pelo que acreditava foi o que mais me chamou a atenção. Às vezes, parava pelo meio dos parágrafos e viajava lá pelos anos 30, 50, 60. Foi uma semana de descobertas.
Ao terminar de ler "Minha razão de viver", senti vontade de encontrar Samuel Wainer, dar-lhe um abraço e dizer-lhe sobre as minhas sensações em relação a sua história. Sabendo que isso não era possível, decidi pesquisar sobre seu filho, Samuca (como era chamado pelo pai e, posteriormente, por amigos), também jornalista. Era a forma que eu tinha de chegar um pouquinho perto de Wainer. Mas, para a minha tristeza, descobri que o primogênito do jornalista havia morrido quatro anos depois do pai.
Ainda disposto a saber mais sobre o dono do UH, persisti em minha busca. Depois de uma sucessão de fatos (coincidências inacreditáveis), consegui marcar uma entrevista com o caçula Bruno Wainer, filho de Wainer com a também jornalista e escritora Danuza Leão. Mesmo sem ter conhecido seu pai, a sensação que eu tinha era de que estava conversando com Samuel. Foi algo indescritível. A emoção no término da entrevista era inevitável.
Eu sempre enxerguei a vida de uma forma romântica. E com o jornalismo não é diferente. Mesmo depois de conhecer algumas vias obscuras da profissão, nunca deixei de acreditar nela. E, depois de ler "Minha razão de viver", a vontade de fazer a diferença na minha área só aumentou. Para alguns, mero sentimentalismo de um acadêmico. Para mim, a certeza de que histórias como a de Samuel Wainer (em proporções e contextos diferentes) ainda são possíveis. Basta acreditar e lutar, como ele sempre fez.