São apenas crianças

Um grupo de amigos, quase irmãos, planejou a vida inteira passar uma temporada em Brasília. Até que, após insistirem muito, chegaram ao Planalto da República. No início, o entusiasmo era tanto que algumas pessoas acharam que a experiência não daria certo. “São apenas crianças, não saberão viver sozinhos”, diziam. Mas havia alguns que torciam pelos garotos, e apostavam na pseudo-integridade da moçada. “Basta a honestidade para que as coisas dêem certo, eles vão conseguir!”, torciam os companheiros. Os meninos até que surpreenderam: fizeram amizades com turminhas de outros países, criaram empregos (não só para eles como para um monte de gente) e distribuíram bolsas "disso" e "daquilo" para as pessoas que precisavam (e continuam precisando).

A turminha vivia eufórica. “Não quero mais outra vida, companheiro”, exclamava Didi, o mais intelectual dos amigos. O entusiasmo era tanto que até autógrafo a galerinha dava. E não era para menos, afinal, para armar aquela festinha em Brasília foi preciso muito sacrifício. Foram dedos, ou melhor, dias perdidos para se formar estratégias e planos para chegar lá.

Apesar de viverem um sonho, há sempre aquela criança desobediente, que faz alguma coisa de errado. Dissimuladas, elas que aprontam e fingem que não sabem de nada... Enfim, a garotada fez foi bagunça! Comeram bolo escondido, fizeram xixi na cama (e depois viraram o colchão para ninguém ver), pularam o muro dos vizinhos e aprontaram tudo que podiam. Mas a culpa não é deles: antes, já havia uma turminha lá que praticava tais atos e, consequentemente, os meninos repetiram a bagunça. Afinal, criança e tudo igual.

Apesar de quase toda a turminha ter deixado o Planalto, um deles, o “Dedinho”, insistiu para ficar. Ele não pedia pelos colegas, mas implorava para que ELE ficasse lá por mais quatro anos. O líder de uma outra turminha, o “Tucano” (que já passou por Brasília e colocou pra quebrar!), também disputava a vaga para o próximo passeio. Havia outros candidatos, mas todos eles, inclusive o Tucano, eram fracos, não tinham o talento de Dedinho - o carisma do menino o tranformava em um importante homem. Ele conseguiu voltar para Brasília e prometeu que não vai mais errar, pois cresceu e aprendeu a lição. Diferente de um outro “garotinho” que a gente conhece. .. Vamos ver. Até agora ele tem sido um bom garoto. Talvez seja porque o Natal esteja próximo. Mas, quem sabe o menino realmente não tomou jeito? Tomara que sim, afinal, o futuro do Brasil está nas mãos das nossas crianças.