O relógio marcava cinco da madrugada. Ainda estava escuro e não havia nenhum comércio aberto. Os ônibus pegavam os trabalhadores, que ao passarem pela roleta, olhavam para trás para assistir a cena: Uma mulher branca e de sandálias de dedo, com uma bolsa na mão e uma criança no colo, chorava sobre o corpo de um jovem na praça da cidade.
O dia clareou e a mulher ainda estava debruçada sobre o cadáver. A polícia a perguntava o que ela era daquele rapaz. A mulher parecia não ter forças para responder. Abaixou a cabeça e começou a chorar, olhando para a criança que ainda estava dormindo em seu colo. Ambos estavam sujos e aparentemente com fome. A dona da padaria levantou as portas do estabelecimento e logo preparou dois pedaços de pão e café com leite para oferecer a mulher, que recusou.
Já eram oito da manhã e a praça da cidade estava repleta de curiosos. Ninguém sabia da onde era aquela mulher, conheciam apenas o rapaz, que era viciado em drogas. A criança acordou e a mulher tirou os seios da blusa para amamentá-la. Do peito da mãe o franzino menino olhava para os curiosos, que se emocionavam com o que viam.
O "rabecão" (carro do corpo de bombeiros) chegou. A mulher se agarrou ao jovem assassinado e começou a gritar, dizendo: "Não o levem, deixe-me ser sua mãe pelo menos agora... Deixe-me ser sua mãe, por favor!". Um policial se aproximou, retirou a mulher e perguntou: "A Srª é a mãe deste rapaz?". Ela respondeu: "Não. Eu apenas o gerei, mas quem o criou foi a rua". Então o policial olhou para a criança em seu colo e perguntou: "E esse menino, é seu filho?" A mulher começa a chorar, tira uma faca suja de sangue de dentro da bolsa e fala: "É sim. Mostrei a ele o que acontece com um filho que não houve o conselho de uma mãe". Neste momento os policiais tiram o menino do colo da mulher, pegam as algemas e a prende. A população grita: "assassina!". A criança chora. E o jovem que foi morto por sua própria mãe é enterrado como um indigente.