O consumismo que consome

Quem nunca se arrependeu de ter comprado algo que inicialmente parecia ser necessário e que na verdade era extremamente surpéfluo? Quando olhamos para aquela vitrine, aquele comercial na tv, no rádio ou no outdoor, logo nos imaginamos possessos por aquele produto, envoltos daquela mercadoria. É raro ver um ser humano que não se rende às promoções, liquidações, campanhas publicitárias ou qualquer outra estratégia de marketing das empresas.

O antigo jargão “muitos tem pouco e poucos tem muito” é uma realidade no mundo capitalista em que vivemos. Mas há ainda uma outra verdade que alguns se negam a externar: todos querem ter muito. Ainda que para alguém o suficiente seja uma casinha na praia, um carrinho 98 e um bom colégio para os filhos, o motivo pela, digamos, pouca ganância, é simples: o indivíduo tem bem menos que isso. Você conhece alguém que tem uma casa, um carro e um bom emprego e que não almeja algo melhor? Ou será que as universidades estão repletas de pessoas desejosas pelo diploma apenas para deixar a parede de suas casas mais bonita?

Há quem diga que o ser humano nunca está satisfeito com o que ele - e o seu vizinho - tem. É uma sociedade de competição, um quer ser melhor que o outro... Um verdadeiro espetáculo. E em busca de saciar essa vontade as pessoas consomem tudo o que lhes oferecem, passando a fazer qualquer coisa pelo o que elas chamam de sonho e que algumas vezes se torna um pesadelo em suas vidas. É o caso dos reality shows. Talvez, apenas um dos participantes poderá declarar que toda a exposição na qual ele foi submetido tenha sido recompensada, já que dependendo do valor do prêmio a sociedade não se manifesta (dinheiro cala a boca de muita gente). Mas para os outros, principalmente para os que foram julgados falsos, manipuladores, invejosos e por outros adjetivos do gênero, resta apenas a missão de enfrentar as pessoas e o espelho.

Uns preferem um apartamento na Barra da Tijuca, outros o novo modelo da Mercedes ou a bolsa da grife Louis Vuitton, um relógio Patek Philippe ou Nike Shox de 12 molas ou um almoço do restaurante Porcão. Independente do caminho a ser trilhado, neste caso o produto a ser consumido, as pessoas querem mesmo é status na sociedade. E o rótulo pode ser até de pessoa humilde! Você deve conhecer alguém que por ser muito pobre ou muito rico e não ostentar riqueza considera-se uma pessoa simples... Há ainda os que ligam uma vez por ano para o programa “Criança Esperança” para se perdoarem do total egoísmo em que vivem.

Uma pessoa pode ter tudo na vida. O problema é quando ela passa a ser escrava do dinheiro, quando valores, conceitos e a própria dignidade fica para trás em busca de algo que parece ter importância. Há pobre pisando em pobre, rico pisando em rico, rico pisando em pobre e pobre tentando derrubar rico. É a guerra pelo poder, do "quem pode mais". É a guerra que promove a guerra e que transforma seres humanos - antes consumidores - em um produto totalmente desvalorizado.