Cotas: problema ou solução?

Um assunto dilemático e que sempre gera discussão entre aqueles que o debatem, a cota de vagas estipulada para estudantes negros nas universidades públicas nem sempre é tratado com empatia e cuidado. Ouve-se muito os jargões “na verdade todos nós somos negros” ou “todo mundo tem capacidade para passar sem precisar de cota” e ainda “ninguém tem culpa se o governo não dá atenção para a educação”. Não sei são frases demagogas ou simples falta de argumento, prefiro acreditar que seja reflexo de uma relação não-empática da sociedade ou apenas falta de reflexão.

O fato é que, primeiramente, devemos olhar para dentro das salas de aula (de colégios particulares), empresas, clubes, academias e lugares onde até a classe média tem acesso. A partir daí, podemos logo observar tamanha exclusão (ausência) dos negros em diversos setores da sociedade. Quantas vezes você foi atendido em uma loja de um shopping por um negro? Quantas vezes, nesta mesma loja, você viu um negro ser discriminado? A desigualdade se aplica com um mesmo objeto... E por serem, durante tantos anos, vistos como meros números para pesquisas, é que os negros se vêem diante deste abismo social. Os brancos também estão diante dele, afinal, alguns deles também são pobres e excluídos, porém, em menores proporções.

Chega-se no fim do ensino médio, o aluno da escola pública geralmente não teve matemática, química ou física. Alguns até mal alfabetizados, enquanto o aluno que teve acesso à educação privada, passou o último no pré-vestibular (aqueles, que de dez passam vinte!) e que enfim, ingressam na universidade pública. Neste momento entra a cota para os negros, que mesmo com uma média inferior, conseguem a vaga. Mesmo sem ter passado por essa experiência, imagino como seria o primeiro dia do negro na universidade... E ainda acham que eles se sentem confortáveis nesta situação.

O problema é sério. Do outro lado está o branco, que perdeu a vaga (mesmo com uma média superior) e que não tem condições de pagar uma faculdade particular. Ele tem culpa do descaso do estado? Sabemos que não. E o negro, tem culpa de morar em um país em – lento - desenvolvimento, que foi colonizado e estabelecido com trabalho escravo? Não podemos esperar pelos governantes para que a educação melhore. Mesmo porque, os pais de muitos dos negros que hoje estão na universidade devido às cotas, até hoje esperam por melhores condições de vida. E é inadmissível deixar nossos jovens nesta fila de espera. Ao estabelecer a cota o governo assume o descaso tanto por parte dos políticos como da sociedade, que sempre vira as costas para os problemas. A esperança é de no futuro tanto negro como branco terem as mesmas condições para alcançarem seus objetivos.